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domingo, 18 de dezembro de 2011

História de um Brasileiro - Parte II

Hoje continuarei com a história que apresentei no artigo anterior. Para quem não leu a primeira parte, leia, antes de continuar com este artigo.

Segue a segunda parte da “História de um Brasileiro”. É vida de um aluno meu, Ramalho Cardoso, cuja finalidade é motivar todos os concurseiros deste país:


Após terminar o ensino médio em 2004, ingressei na faculdade em seguida, 2005, pelo primeiro ENEM que ofertou bolsas de estudo. Mas não foi possível concluir. Não passei do segundo semestre de Administração, num curso EAD. Aí, meus caros companheiros, aí surge a figura do concurso no ano de 2007, quando vi na televisão de um parente o anuncio da seleção para o IBGE. A remuneração era 600 reais. Caramba, bicho! Agora eu iria enricar (risos), 600 reais? Com grande esforço comprei uma apostila. Saiu o edital. Apenas uma vaga para a minha região. Não tive medo. A preparação era zero. Logrei a 50ª posição, entre mais 900 inscritos.

Não consegui a vaga, mas fiquei feliz. Havia outro horizonte se descortinando. Continuei a estudar, só que para vestibular. Eu queria ser igual àquelas pessoas que falavam nos eventos. Aquelas eloquentes, sabe? Ainda choro sempre que aprecio uma boa explanação... A magia do discurso. Já sentiu? Pois é. Você sabe do que estou falando. Voltemos aos Vestibulares. Fiz vários. Consegui a aprovação em primeiro lugar na Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Muito maneiro! Neste momento não estava mais na roça fazendo o trabalho braçal. Pequei minha mãe, fui para a cidade (Araci). Aluguei uma casa. Lá trabalhei como assessoria de uma instituição do terceiro setor, no seguimento Agricultura Familiar. Fantástico! Eu fazia apresentações.

Mas em 2008 comecei a pensar seriamente na “figura” do concurso público, essa coisa que eu tinha olhado de “relapão” há pouco tempo. Como sujeito indignado com o puxa-saquismo, só em um cargo conquistado com o mérito seria possível trabalhar e contribuir para a nossa sociedade sem que a sombra do favor me rondasse.

Fiz vários concursos, mas sem orientação nenhuma. Saia o Edital eu comprava uma apostila e começava a estudar. Planejamento não se inseria ali, rss. Ministério da Justiça, Ministério da Fazenda, TRE/PI, TJ/PI, EMBRAPA...Ufa!! Creio que você já está suado/a (rs). Mas é isso, desta lista, só não fui eliminado na EMBRAPA e Ministério da Justiça. Em todos os outros a BANCA levou a melhor. Incrivelmente eu sentia evolução. Minha rotina ainda era brava. Estudava só aos sábados, domingos e madrugadas. Como a ideia de um curso superior não desgrudava, obtive a 3ª colocação na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Eu tinha que tomar uma decisão: continuar em um trabalho sem perspectiva de crescimento ou seguir o caminho do estudo.

Assim fiz: ingressei na UFRB. Para tanto, mudei de cidade levando minha Mãe doente e... Bem, aqui se insere mais uma personagem: Minha companheira/esposa. Ela se juntou a mim e seguimos juntos. Agora a família tinha três membros. Levei umas economias, mas elas não durariam muito. Minha esposa também entrou depois na UFRB. Fui beneficiado com o auxílio-moradia por ser um dos miseráveis do campus. Entretendo, trabalhar não podia. O curso era diurno. Dormia no chão forrado com uns lençóis. TV, internet, fogão... Nem pensar! Mas sabia que era um vencedor. Eu estava na luta contra a miséria. Esta é a minha maior adversária.

O fato, companheiro/a, é que tínhamos de fazer alguma coisa. E fizemos. Antes, obtivemos as primeiras colocações na seleção do IBGE para trabalhar nas coletas de dados de 2010. Minha esposa então foi ser recenseadora no Município de Amargosa/Ba. Eu? Bem...eu fui estudar para o MPU, lembra-se deste concurso? Hum!! Se você foi aprovado nele, que maravilha! Merecido. Avante!
Peguei pesado nos estudos. Estudando sentado ao chão frio e me alimentando mal. Cuidando de minha mãe doente. Fiz um programa que me permitia ir a um cyber ou ao laboratório da Universidade pelo menos a cada dois dias ver se tinha coisa nova no mundo dos concursos.

Neste concurso do MPU eu seria classificado, não havia jeito de dar errado. É, mas deu. Não tinha dinheiro para pagar uma pousada em Salvador, cidade de prova. Sai de ônibus pela manhã, cheguei atrasado e com muita fome. Não consegui ler a prova.


No próximo artigo a história continua.

Forte abraço!
Sérgio Mendes

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